Arcade ou simulação: o que muda nos controlos do telemóvel
O mesmo carro conduz-se de três maneiras no telemóvel: inclinando o aparelho, tocando em setas nos cantos do ecrã ou rodando um volante desenhado. A escolha muda mais o jogo do que a diferença entre arcade e simulação, e quase ninguém a revê depois do primeiro arranque.
Os três esquemas em duas frases cada
A inclinação usa o acelerómetro: o carro vira para onde inclinar o telemóvel, e o acelerador fica automático. É o esquema com que o Asphalt 8 abre, e o que melhor disfarça a falta de precisão, porque o jogo corrige a trajetória por si.
As setas ocupam os cantos inferiores e funcionam como um comando: previsíveis, com resposta imediata, e cansativas ao fim de vinte minutos porque obrigam a manter os polegares em pontos fixos. O volante desenhado, terceiro esquema, é o mais fiel à condução real e o pior para ecrãs pequenos: ocupa espaço, exige duas mãos firmes e não perdoa trepidação.
Sentado no sofá
Em casa, com o aparelho apoiado nas duas mãos e sem movimento à volta, a inclinação ganha. O Asphalt 8 fica mais fluido, as derrapagens saem melhor e o polegar direito fica livre para o botão de nitro. Foi o esquema com melhores tempos em todas as corridas que fizemos deste lado do teste.
No Bus Simulator Ultimate acontece o contrário: mesmo sentado, o volante desenhado é preferível, porque as manobras lentas em estação exigem correções pequenas que a inclinação não consegue dar. Aqui a simulação impõe o seu esquema.
De pé no autocarro
Repetimos as mesmas corridas num percurso da Carris com paragens frequentes, de pé e com uma mão no varão. A inclinação tornou-se inutilizável ao fim de duas curvas: o aparelho oscila com o veículo e o jogo interpreta isso como comando. As setas passaram bem, mesmo com uma mão só, desde que o jogo permita jogar em vertical — e a maioria não permite.
O Hill Climb Racing 2 foi o único a funcionar sem reservas nestas condições: dois botões grandes, ecrã na horizontal apoiado no antebraço e nenhuma dependência da posição do aparelho. É a razão prática por que continua instalado no nosso telemóvel de testes.
Comandos ligados por Bluetooth
Alguns destes jogos reconhecem um comando de consola ligado por Bluetooth ao telemóvel — vale a pena testar antes de assumir que sim ou que não — e isso resolve de uma vez o problema dos controlos. Os analógicos dão a precisão que nenhum esquema tátil consegue, e o ecrã fica livre de botões desenhados por cima da estrada. A desvantagem é evidente: deixa de ser um jogo que se leva no bolso e passa a exigir suporte para o aparelho e mesa onde o pousar.
O que mudar nas definições em dois minutos
- Trocar a inclinação por setas antes de decidir que o jogo é impreciso. Nos cinco títulos a opção está no menu de controlo, não no de dificuldade.
- Desligar a assistência de travagem só depois de conhecer os percursos. Ligada, esconde erros; desligada, mostra-os todos de uma vez.
- Aumentar o tamanho dos botões, quando existe essa opção. Em ecrãs acima de seis polegadas os alvos predefinidos ficam pequenos para dedos grandes.
- Reduzir a vibração, que consome bateria e não acrescenta informação útil em nenhum destes jogos.
- Experimentar cada esquema durante três corridas completas, não uma. A primeira é sempre pior, seja qual for o esquema.
Escolher conforme o sítio onde joga
Se joga sobretudo em casa, comece pela inclinação e mantenha-a enquanto os tempos melhorarem. Se joga em transportes, instale um jogo desenhado para botões e poupe-se à frustração de lutar contra o acelerómetro num percurso aos solavancos.
A seguir, veja quanto espaço cada um destes jogos ocupa em o texto sobre atualizações e o que acontece à bateria em corridas em 3D no verão. Comentários e correções: [email protected].